top of page

Acordo histórico redefine a matriz energética da Europa e fortalece dependência dos EUA

Por EnergyChannel – 08/08/2025


O resort Turnberry, na Escócia, foi palco de um encontro que pode entrar para a história geopolítica e energética do século XXI. No último dia 27 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para formalizar um acordo que, oficialmente, tratava de tarifas comerciais, mas que, nos bastidores, redesenhou as relações estratégicas entre Washington e Bruxelas.


Acordo histórico redefine a matriz energética da Europa e fortalece dependência dos EUA
Acordo histórico redefine a matriz energética da Europa e fortalece dependência dos EUA

Embora o anúncio público tenha se concentrado na aplicação de uma tarifa unificada de 15% sobre a maioria das exportações europeias para os EUA um número apresentado como um “mal necessário” para evitar taxas de até 50% ameaçadas por Trump, o verdadeiro impacto está em outra frente: a energia.


US$ 1,35 trilhão em três anos: a nova ponte energética transatlântica


O compromisso não escrito, mas confirmado posteriormente, prevê que a União Europeia destinará aproximadamente US$ 1,35 trilhão aos Estados Unidos até 2028.


Deste total, US$ 750 bilhões serão para importação de energia incluindo gás natural liquefeito (GNL), petróleo e componentes nucleares e outros US$ 600 bilhões para investimentos diretos em tecnologia e defesa.


A medida consolida a substituição do gás russo pelo GNL norte-americano, mas a um custo mais alto para o consumidor europeu. Diferente do fornecimento via gasodutos russos, o GNL exige liquefação, transporte marítimo e regaseificação, etapas que encarecem o produto. Em 2024, o preço médio do gás dos EUA para a Europa chegou a € 48/MWh, contribuindo para a disparada das contas de energia no continente.


Impacto direto: mais caro para o cidadão, mais pressão para as indústrias


Especialistas alertam que o efeito imediato recai sobre famílias e pequenas e médias empresas (PMEs), incapazes de absorver a alta de custos. Países como Alemanha, Itália e Áustria já registram ondas de falências em setores industriais que dependiam de energia barata para manter competitividade.


A situação é ainda mais crítica no Leste Europeu. Polônia, Hungria, Eslováquia e Bulgária, historicamente dependentes do gás russo de baixo custo, enfrentam aumentos mais acentuados e perda de atratividade industrial, com empresas migrando para regiões fora da União Europeia em busca de energia mais acessível.


Mudança de dependência: de Moscou para Washington


A relação da Europa com a Rússia sempre foi majoritariamente energética, sem um alinhamento político profundo. Já com os Estados Unidos, o vínculo é mais abrangente, envolvendo defesa, tecnologia e influência institucional. Analistas veem o movimento como uma troca de uma dependência pela outra mas desta vez com menor poder de barganha.


Um caminho alternativo era possível?


Diversos analistas defendem que a UE poderia ter adotado uma política de contenção estratégica com a Rússia, mantendo canais comerciais e usando a interdependência como ferramenta de influência, em vez de romper quase todos os laços econômicos.


A comparação com a política da Arábia Saudita em relação ao Irã é recorrente: Riad mantém equilíbrio delicado, evitando ruptura total e garantindo espaço de negociação.


O papel da Arábia Saudita nesse novo tabuleiro


Embora a maior parte do petróleo saudita vá para a Ásia, a reconfiguração europeia abre espaço para Riad se posicionar como fornecedor complementar para o Ocidente. O volume do acordo EUA-UE lembra o pacote de US$ 600 bilhões fechado entre Arábia Saudita e Estados Unidos em março deste ano, mas com uma diferença crucial: no caso saudita, o movimento foi estratégico e voluntário não resultado de pressão tarifária.


Conclusão: um acordo de tarifas que é, na verdade, sobre energia e poder


O Acordo de Turnberry ficará marcado como muito mais que um ajuste comercial. Ele sinaliza uma nova fase de influência dos EUA sobre a Europa, com consequências diretas para competitividade industrial, segurança energética e equilíbrio geopolítico global.

Enquanto Washington consolida seu papel como fornecedor-chave e receptor de investimentos europeus, o bloco europeu enfrenta o desafio de manter sua soberania estratégica e sua posição na economia global agora em um cenário de energia mais cara e dependência reforçada.


Acordo histórico redefine a matriz energética da Europa e fortalece dependência dos EUA

 
 
 

Comments

Rated 0 out of 5 stars.
No ratings yet

Add a rating
EnergyChannel

2026 The EnergyChannel Group.

EnergyChannel — Information that moves the world​

Welcome to The EnergyChannel, your source for reliable news and analysis that sheds light on the issues shaping the world. We bring you breaking headlines, in-depth reporting, and opinions that truly matter to you. We are guided by ethics and independence.

Our commitment is to inform with rigor and respect for the reader.


We don't want to be the biggest by making a lot of noise.

We want to be great through trust.

 

​Categories:

 

EnergyChannel Global​

EnergyChannel Brazil

Customer Service Center


E-mail
info@energychannel.co

QuiloWattdoBem

Certifications


Company associated with QuiloWattdoBem

EnergyChannel Group - An informative, factual, pluralistic channel, without declared militancy. A modern, multiplatform news channel, focusing on the real economy, technology, energy, science, and people's daily lives.


“EnergyChannel is an expanding media group with consolidated operations in Brazil, a global editorial hub in English, and a brand presence in strategic markets.”

Customer Service Center​: E-mail info@energychannel.co

bottom of page